Objetivo foi reunir pesquisadores, docentes, estudantes e representantes da diplomacia chinesa para discutir os caminhos da cooperação
Autoria Rafael Brandão (Comunicação Cocen) Gabriela Andrietta (Comunicação Cocen)
Edição de imagem Paulo Cavalheri
Fotografia Divulgação Cocen

Cerca de um ano após a criação do Centro Interdisciplinar de Estudos Brasil-China (CIEBC), a Unicamp reuniu pesquisadores, docentes, estudantes e representantes da diplomacia chinesa para discutir os caminhos da cooperação entre os dois países em uma edição especial do Café Cocen, realizada no dia 17 de agosto.
Intercâmbio acadêmico, desenvolvimento científico e tecnológico e as perspectivas para os estudos sobre as relações Brasil-China foram temas centrais do encontro, organizado pela Coordenadoria de Centros e Núcleos Interdisciplinares de Pesquisa (Cocen), em parceria com a Diretoria Executiva de Relações Internacionais (Deri).
A mesa de abertura, mediada pelo diretor da Deri, Rafael Dias, reuniu o reitor da Unicamp, Paulo Cesar Montagner, o cônsul-geral da China em São Paulo, Yu Peng e o professor Tom Dwyer, coordenador do CIEBC, vinculado a Coordenadoria dos Centros e Núcleos Interdisciplinares de Pesquisa.
Na abertura, Dwyer traçou um histórico da Cocen, que atualmente reúne 23 unidades de pesquisa interdisciplinares – abordagem essencial para compreender as relações entre Brasil e China. “Trata-se de uma estratégia conceitual. Romper as fronteiras disciplinares impostas e formar pesquisadores capazes de trazer inteligibilidade às grandes questões do mundo”, declarou.
Na sequência, o cônsul-geral da China em São Paulo, Yu Peng, que também esteve presente na inauguração do CIEBC, ressaltou o potencial das oportunidades que o país asiático apresenta para o Sul Global, particularmente para grandes países como o Brasil, e destacou a importância do centro para ampliar a cooperação entre as instituições.


Edição especial teve como objetivo estreitar as relações entre o CIEBC e o consulado chinês
Encerrando a mesa de abertura, Montagner destacou a relação entre o Brasil e China em diferentes áreas. Para o reitor, ainda há espaço para aprofundar essa aproximação. “As universidades desempenham um papel estratégico nesse processo, não apenas como instituições voltadas à produção de conhecimento, mas também como espaço de encontro entre cultura e sociedade, capaz de transcender fronteiras”, disse o reitor.
Sobre os recentes movimentos de expansão da internacionalização da universidade, Dias destacou três dimensões. A primeira é a manutenção das parcerias já consolidadas em diferentes países do mundo, em todos os continentes. A segunda é constituir bases para construir novas conexões em regiões onde se verificava uma sub-representação.
“E um terceiro movimento tem relação com uma estratégia mais vertical de trabalhar com alguns países prioritários. Buscamos consolidar parcerias com países do Sul Global, da América Latina e do continente africano, além dos BRICS. Então, a China é estratégica nesse movimento”, explicou Dias.
Após a abertura, a programação contou com duas apresentações. A primeira foi realizada pelo próprio cônsul-geral Yu Peng, com o tema “Brazil–China Academic Exchange: Experiences and Future Perspectives”, sobre experiências e perspectivas futuras do intercâmbio acadêmico entre os dois países.
Em seguida, Dwyer apresentou “Brazil–China Studies at Unicamp: Past, Present, and Future”, abordando a trajetória, o desenvolvimento e as perspectivas dos estudos sobre as relações Brasil-China na Unicamp.
Criado como um espaço de encontro e diálogo entre os Centros e Núcleos Interdisciplinares de Pesquisa da Unicamp, o Café Cocen vem ampliando seu escopo ao longo de suas edições. A proposta, inicialmente voltada à integração da comunidade da Cocen, passou a incorporar também convidados externos à Coordenadoria, criando oportunidades para a aproximação dos Centros e Núcleos com diferentes parceiros institucionais.

“Vale do Silício” brasileiro
Em sua apresentação, Yu Peng traçou um panorama do desenvolvimento científico e tecnológico da China e destacou áreas em que o país vem ampliando sua capacidade de inovação, como inteligência artificial, tecnologias quânticas, energia solar e eólica, além de avanços em setores como exploração espacial e manufatura avançada. O
Ao abordar a relação com o Brasil, destacou iniciativas como o programa de satélites CBERS, desenvolvido em parceria pelos dois países, e laboratórios conjuntos de pesquisa. Também mencionou novas frentes de colaboração em áreas como agricultura inteligente, inteligência artificial e ciência de luz síncrotron, além da crescente presença de empresas chinesas no Brasil. “Essas iniciativas indicam uma passagem de uma cooperação predominantemente acadêmica para parcerias que articulam pesquisa, inovação e desenvolvimento tecnológico”, avalia o cônsul.
Nesse contexto, Yu Peng apresentou cinco áreas consideradas estratégicas para a atuação do CIEBC: pesquisa e aplicações de inteligência artificial; agricultura inteligente e veículos elétricos, aproveitando competências complementares dos dois países; integração entre indústria, universidade e centros de pesquisa; intercâmbio de professores e estudantes; e fortalecimento das relações entre os povos por meio de iniciativas de educação, cultura e intercâmbio, incluindo o Instituto Confúcio.
Entre as propostas apresentadas, estão a aproximação entre parques tecnológicos chineses e o ecossistema de inovação da Unicamp, programas conjuntos de formação e pesquisa e a ampliação da mobilidade acadêmica.
Ao contextualizar essas possibilidades, o cônsul também ressaltou a posição de Campinas como um importante polo de ciência, tecnologia e inovação, referindo-se à região como o “Vale do Silício do Brasil”, e destacou a Unicamp como um dos principais motores acadêmicos desse ecossistema.
CIEBC
Em sua apresentação, Dwyer recuperou a trajetória dos estudos sobre a China na Unicamp e mostrou como essa agenda foi se consolidando ao longo de mais de uma década, por meio de iniciativas de ensino, pesquisa e cooperação internacional.
Entre os primeiros movimentos institucionais, destacou a criação, em 2010, do Grupo de Estudos Brasil-China (GEBC), a partir de uma iniciativa do Centro de Estudos Avançados (CEAv). Em 2019, esse percurso ganhou uma nova dimensão com a criação do Center for China Studies (CASS-Unicamp).
Nesse contexto, a criação do CIEBC representa uma nova etapa de institucionalização dessa agenda. Segundo Dwyer, o Centro passa a integrar uma estrutura que reúne as atividades de ensino e pesquisa dos diferentes institutos e faculdades da Unicamp, o CASS-Unicamp e o Instituto Confúcio.
Postagem Original: Portal da Unicamp