Autoria: Kathleen Oikawa

A Diretoria Executiva de Relações Internacionais (DERI) da Unicamp transmitiu no youtube, no dia 27 de agosto, um webinar estratégico voltado à consolidação de pontes científicas entre o Brasil e o Japão. O evento detalhou as oportunidades de fomento da Japan Society for the Promotion of Science (JSPS), agência de fomento acadêmico do Japão.
Um dos pilares destacados na apresentação de Abigail, representante do escritório da JSPS em San Francisco, foi a World Premier International Research Initiative (WPI). Este programa de elite compreende 18 centros de pesquisa de vanguarda distribuídos pelo Japão, projetados para oferecer alta autonomia e um ambiente de trabalho internacionalizado que atrai os cientistas mais talentosos do mundo. Ao lado de Abigail, o encontro contou com os relatos dos doutores Thiago Luis Risalki (Geologia/UnB) e Marco Antonio Zanini (FGV).
As bolsas da JSPS são desenhadas para mitigar barreiras logísticas e financeiras, permitindo que o pesquisador foque integralmente na produção científica. Um diferencial estratégico é que o programa arca com todos os custos.
Detalhamento dos Programas
- Standard (Pós-Doutorado): Destinado a doutores com até seis anos de titulação. A duração varia de 12 a 24 meses, permitindo uma imersão profunda no ecossistema japonês.
- Invitational (Short-term): Focado em professores e pesquisadores sêniores para missões de 14 a 60 dias, visando palestras, seminários e discussões técnicas.
- Invitational (Long-term): Com duração de 2 a 10 meses, é ideal para a execução de projetos de pesquisa conjunta.
Ciclos e Prazos Críticos: O próximo grande deadline oficial da JSPS está fixado para 23 de abril de 2027. No entanto, existe um “pilar invisível” fundamental para o sucesso: os prazos internos das universidades japonesas. Instituições de renome, como a Universidade de Waseda, costumam encerrar o recebimento de propostas em março, um mês antes do prazo final da agência. Portanto, a coordenação com o anfitrião japonês deve ocorrer com extrema antecedência.
Um ponto crucial reiterado no webinar é que o candidato brasileiro não submete a proposta diretamente; este papel cabe ao Host Researcher (pesquisador anfitrião). Ele é o garantidor da candidatura e o responsável por tramitar o processo dentro de sua instituição japonesa.
Para encontrar o parceiro ideal, os palestrantes sugerem:
- Researchmap: A plataforma oficial para mapear a produção e localização de cientistas no Japão.
- Redes Pessoais e Alumni: Contatar ex-bolsistas ou utilizar indicações de orientadores.
- Publicações: Identificar autores de referência na sua área específica e iniciar o contato formal via e-mail.
O caminho para a pesquisa no Japão exige rigor técnico e paciência, mas oferece, em contrapartida, acesso ao que há de mais avançado na ciência mundial, dentro de uma cultura baseada na hospitalidade, precisão e senso de coletividade.
Assista à palestra transmitida:
Palestra sobre oportunidades de pesquisa no Japão – YouTube