Com o objetivo de proporcionar aos estudantes internacionais da Unicamp uma compreensão ampla da história, da cultura e da sociedade brasileiras, a Diretoria Executiva de Relações Internacionais (DERI) promove uma série de palestras ministradas por pesquisadores de diferentes áreas do conhecimento. As atividades abordam temas como a história do Brasil, a diversidade linguística do país, a literatura, o cinema e a música brasileiros, incentivando o diálogo intercultural.
Embora o ciclo tenha como público-alvo os estudantes internacionais da Unicamp, as palestras, ministradas em inglês, são abertas a toda a comunidade universitária e a demais interessados. Os participantes receberão certificado de participação.
Confira a programação abaixo:
1. Compreendendo o Brasil por meio de seu passado: raça e República no Brasil
10 de agosto, 10h-12h
Local: Auditório BORA
A palestra toma dois momentos fundamentais da história brasileira – a Abolição da Escravidão e a Proclamação da República – como ponto de partida para analisar os processos históricos que contribuíram para a consolidação das desigualdades raciais e para a permanência de estruturas de exclusão e violência no país. Ao explorar as relações entre história, memória e poder, a atividade convida os participantes a refletirem sobre como os legados da escravidão e do racismo continuam moldando a sociedade brasileira e ajudam a compreender os desafios enfrentados pelo Brasil na atualidade.
Matheus Gato é professor do Departamento de Sociologia do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) da Unicamp. É pesquisador do Núcleo Afro do CEBRAP e coordenador do Bitita: Núcleo de Estudos Carolina Maria de Jesus (IFCH/UNICAMP). Doutor em Sociologia pela Universidade de São Paulo (USP), realizou estágio de pós-doutorado na mesma instituição e foi pesquisador visitante no Hutchins Center for African and African American Research, da Universidade Harvard. Desenvolve pesquisas sobre racismo, classificação racial, violência racial, intelectuais negros, literatura e pós-abolição.
2. Quantas línguas se falam o Brasil?
17 de setembro, 14h-16h
Local: Auditório BORA
A palestra propõe uma reflexão sobre a formação do português brasileiro a partir de sua relação com a diversidade linguística do país e com os processos históricos que moldaram seu desenvolvimento. Serão abordadas as diferentes línguas faladas no Brasil, o papel da linguagem em contextos de poder e dominação e a contribuição dos acervos históricos de jornais de Campinas para compreender as transformações do português brasileiro ao longo do tempo.
Layne Gabriele da Silva é mestranda em Linguística Aplicada no Instituto de Estudos da Linguagem (IEL) da Unicamp. Sua pesquisa situa-se na interface entre linguagem, memória, tecnologia e oralidade, articulando análise de arquivos, práticas discursivas e desigualdades raciais. Em seu mestrado, investiga anúncios de escravizados fugitivos publicados em jornais brasileiros dos séculos XVIII e XIX, compreendendo esses documentos como arquivos linguísticos marcados por relações de poder, vestígios de oralidade e memória coletiva negra, com implicações para os debates contemporâneos sobre racismo linguístico.
3. “Lá vem a história”: explorando uma literatura brasileira que sonha, escreve e resiste
6 de outubro, 14h-16h
Local: Auditório BORA
Nesta palestra, percorreremos a história da literatura brasileira por meio de obras clássicas e de produções contemporâneas que evidenciam a riqueza da ficção nacional, ao mesmo tempo em que refletem sobre cultura, memória e identidade. O que a literatura brasileira revela sobre nossa história? De que maneira ela foi utilizada para reivindicar liberdade, afirmar direitos e questionar desigualdades sociais? A partir de trechos de obras literárias, entrevistas e análises críticas, discutiremos coletivamente como questões sociais atravessam as narrativas literárias e quais desafios a literatura brasileira enfrenta ao abordar as desigualdades estruturais do país.
A atividade foi pensada para ser dinâmica, interativa e acolhedora, incentivando o diálogo e a troca de perspectivas. Ao longo do encontro, os participantes também receberão sugestões de leitura e referências para aprofundar seus conhecimentos sobre a literatura brasileira.
Gabriela da Costa Silva é doutoranda em Sociologia no Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Unicamp. Mestre em Sociologia e bacharela e licenciada em Ciências Sociais pela Universidade de Brasília (UnB), realizou intercâmbio acadêmico na Universidad Nacional de Colombia, em Bogotá. Integra o grupo de pesquisa Arte, Sociedade e Interpretações do Brasil (UnB) e é pesquisadora do Núcleo Direito e Democracia do CEBRAP. É fundadora do projeto Leia Preta (@leia_preta) e coidealizadora do podcast Cânone Invertido. Desenvolve pesquisas sobre relações étnico-raciais, literatura negra, literatura de mulheres negras, arte e cultura.
4. Cinema brasileiro: uma introdução
4 de novembro, 13h-15h
Local: Auditório BORA
A aula apresenta uma introdução à história do cinema brasileiro por meio de uma cronologia comentada, destacando seus principais momentos de transformação e alguns dos filmes mais importantes produzidos no país. O percurso parte da chegada do cinematógrafo ao Rio de Janeiro, no final do século XIX, e chega às produções contemporâneas.
Alfredo Suppia é professor de Cinema e Audiovisual da Unicamp. Doutor em Multimeios pela universidade, possui livre-docência em História da Arte e em História e Teoria do Cinema. Crítico e pesquisador, dedica-se aos estudos de história e teoria do cinema, cinema de ficção científica, cinema brasileiro e latino-americano, mídias audiovisuais e crítica cinematográfica. É autor e organizador de diversos livros sobre cinema e ficção científica, representante brasileiro no conselho da Science Fiction Research Association (SFRA) e membro do conselho editorial da coleção World Science Fiction Studies, da editora Peter Lang.
5. Os muitos sons do Brasil: uma introdução à música popular brasileira
17 de novembro, 13h-15h
Local: Auditório BORA
O que é música popular brasileira? Quais imagens e estereótipos moldam aquilo que normalmente entendemos por “música brasileira”? Esta palestra propõe uma reflexão crítica sobre essas representações, examinando como determinados gêneros musicais e símbolos culturais passaram a ocupar um lugar central na construção da identidade musical do país. Ao mesmo tempo, explora a diversidade de práticas, sonoridades e tradições que compõem a música popular brasileira, destacando a pluralidade de experiências musicais presentes nas diferentes regiões e contextos sociais do Brasil.
Suzel Ana Reily é professora titular de Etnomusicologia no Departamento de Música do Instituto de Artes da Unicamp. Doutora em Antropologia Social pela Universidade de São Paulo (USP), foi docente da Queen’s University Belfast até 2015. É autora de Voices of the Magi: Enchanted Journeys in Southeast Brazil (University of Chicago Press, 2002) e organizadora de importantes obras na área da etnomusicologia, como The Musical Human, Brass Bands of the World, The Oxford Handbook of Music in World Christianities e Routledge Companion to the Study of Local Musicking. Suas pesquisas concentram-se em etnomusicologia, práticas musicais locais, música brasileira e nas relações entre música, cultura e sociedade.