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Encontro da Associação de Universidades do Grupo Montevidéu reforça cooperação acadêmica

Realizada na Unicamp, reunião contou com a participação de dirigentes de instituições de ensino públicas de sete países da América Latina

Autoria Daniela Prandi

Edição de imagem Alex Calixto

Fotografia Antoninho Perri

capa augm

Os desafios da cooperação acadêmica e da integração regional e a defesa do ensino superior público marcaram os debates da 89ª Sessão do Conselho de Reitores e Reitoras da Associação de Universidades do Grupo Montevidéu (AUGM), que reúne dirigentes de universidades públicas do Brasil, Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Paraguai e Uruguai. O evento, aberto nesta terça-feira (30), na Reitoria da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em São Paulo, segue com atividades na Unicamp até quinta-feira (2).

A programação, que também celebrou as comemorações dos 60 anos da Unicamp e dos 50 anos da Unesp, é dedicada ao fortalecimento das relações entre as instituições e ao aprofundamento da integração regional.

Criada em 1991, a AUGM atua na promoção da cooperação acadêmica, científica, tecnológica e cultural. A associação desenvolve programas de mobilidade, projetos conjuntos de pesquisa, redes temáticas e ações voltadas à internacionalização do ensino superior, tendo como princípios a defesa da universidade pública e da autonomia universitária.

Nesta quarta-feira (1º), a programação foi realizada no Instituto de Otorrinolaringologia e Cirurgia de Cabeça e Pescoço (IOU). O reitor da Unicamp, Paulo Cesar Montagner, destacou a importância de sediar o encontro e ressaltou o papel da Universidade na construção de redes de colaboração internacional. “A Unicamp mantém uma participação histórica nas atividades da associação, contribuindo para iniciativas nas áreas de pesquisa, ensino, extensão e pós-graduação”, afirmou.

Ao receber os participantes, o reitor também apresentou um panorama da Universidade e destacou a importância da internacionalização para o fortalecimento das instituições públicas de ensino superior. Montagner agradeceu à equipe da AUGM e aos organizadores do encontro e afirmou que a reunião representa uma oportunidade para ampliar o diálogo e consolidar parcerias entre universidades latino-americanas. “Nós optamos por um modelo de reuniões de trabalho para facilitar a comunicação e a horizontalização das nossas relações”, completou.

O presidente da AUGM e reitor da Universidad Nacional de Concepción, do Paraguai, Clarito Rojas, reforçou que a cooperação entre as universidades da região constitui um dos principais instrumentos para enfrentar desafios comuns e fortalecer a produção de conhecimento, reafirmando o compromisso com a integração regional. “A educação superior pública é um direito humano e um bem público, fundamental para o desenvolvimento democrático e para a integração dos nossos países”, destacou. “As universidades precisam ser protagonistas das transformações de que nossa região necessita.”

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O presidente da AUGM e reitor da Universidad Nacional de Concepción, do Paraguai, Clarito Rojas (à direita) entrega placa comemorativa dos 60 anos da Unicamp ao reitor Paulo Cesar Montagner

A reitora da Unesp, Maysa Furlan, também destacou o papel desempenhado pela AUGM, que “tem sido uma voz firme na defesa do ensino superior público, gratuito e de qualidade, compreendido como direito, bem público e instrumento de desenvolvimento democrático, científico, cultural e social”.

A reunião ainda tratou da definição da nova diretoria da entidade para o próximo período, da formação de um conselho consultivo e da discussão de agendas políticas e institucionais que envolvem as universidades públicas da América Latina. Jhon Darío Boretto, reitor da Universidad Nacional de Córdoba (UNC), foi escolhido o novo presidente da AUGM.

Produção de conhecimento

O secretário executivo da AUGM, o uruguaio Fernando Sosa, destacou que as universidades públicas continuam sendo o principal motor da produção científica latino-americana. “Mais de 80% da produção do conhecimento e da pesquisa em nossos países está nas universidades públicas”, afirmou.

O secretário enfatizou os resultados do Programa de Parcerias para Pesquisa entre Brasil e América Latina, lançado neste ano com apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). A iniciativa recebeu mais de 1.700 propostas de pesquisa envolvendo instituições da região, demonstrando o potencial das redes de colaboração científica latino-americanas.

Segundo Sosa, a Unicamp é uma das universidades de referência da AUGM, com participação destacada em projetos de pesquisa, extensão, ensino e pós-graduação, evidenciando seu protagonismo nas iniciativas de cooperação acadêmica da rede.

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O secretário executivo da AUGM, o uruguaio Fernando Sosa: fortalecimento da cooperação regional

Segundo Sosa, a Unicamp é uma das universidades de referência da AUGM, com participação destacada em projetos de pesquisa, extensão, ensino e pós-graduação, evidenciando seu protagonismo nas iniciativas de cooperação acadêmica da rede.

Sosa lembrou que a reunião da associação ocorre em um momento de fortalecimento da cooperação regional, após a realização do Fórum de Reitores e Reitoras da América Latina e do Caribe, promovido na Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA), em Foz do Iguaçu, no dia 30 de junho.

De acordo com o secretário, o encontro reafirmou o compromisso das universidades com a defesa da educação superior pública e fortaleceu a articulação entre instituições da região. Entre os temas debatidos, estiveram o financiamento da ciência, a ampliação das redes de pesquisa, a internacionalização da pós-graduação e a preparação para a próxima Conferência Regional de Educação Superior (CRES), prevista para 2028, no México.

A programação da tarde foi dedicada à apresentação do Centro Binacional Brasil–Uruguai de Pesquisa e Inovação em Ciências da Vida, iniciativa criada pelos governos dos dois países para ampliar a cooperação científica em áreas estratégicas. “O centro, lançado no início deste ano, está sendo desenvolvido em parceria entre o Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas, e o Instituto de Pesquisas Biológicas Clemente Estable (IIBCE), no Uruguai”, explicou Sosa.

A proposta prevê desenvolvimento de pesquisas conjuntas, intercâmbio de pesquisadores e estudantes, formação de recursos humanos e compartilhamento de infraestrutura científica, além de abrir possibilidades de colaboração para as universidades integrantes da AUGM. Segundo o secretário, a expectativa é que o centro se torne uma plataforma para ampliar a participação das universidades da associação em projetos científicos internacionais e fortalecer a integração da pesquisa produzida na América Latina.

A programação do encontro termina nesta quinta-feira (2), com uma visita técnica ao CNPEM.

Postagem Original: Portal da Unicamp

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